quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

No mesmo olhar...


A insônia sugere que algo não funciona no fim da noite que se esvai...A última lágrima ainda mancha o travesseiro, e os pensamentos confundem-se com os sonhos. Coragem que se esconde no silêncio noturno! Nada mais... O som da música se mistura com o frio de sua alma, está turva e em desmantelo, o que se fala é também o que  a mata (quisera não amar tanto assim).O preço por lutar, é reconhecer a necessidade de estar, vencer é uma consequência ao se falar de amor, ou pelo menos, é o que penso! Se me calarem com um gesto, gritarei com minhas verdades,que são bem maiores que as dúvidas, em descompasso, me enfrento na ditadura de acertar,e demonstrar tudo isso, não tem fascínio...

 Miquelinne Araujo

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

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Mais uma vez estava lá como quem nada conhecia, tudo era atraente a ponto de gerar arrepios... Sua voz deixava de ser doce e tornava-se decidida, os medos abriam espaço para algo novo que nem ela mesma saberia definir. Olhos atentos, ainda observava a lua com certo receio, imaginava delicadamente quem estaria olhando pra "sua lua" e quantos apaixonados deitados a sua luz prometiam amor... A paixão pelo escuro deixava de ser algo anormal e tornava-se parte dela! Naquela noite, tranquilamente atravessou-se de imediato, recompondo nas estrelas um brilho que fazia falta: haveria algo ali vestido de segredo... E segredou pra si mesma um sonho passado, que a solidão já fazia parte e a abraçava como antiga amizade, nunca alguém esteve tão bem  em se sentir sozinha. Seus mistérios estavam envoltos sobre o fim do abraço, trazendo do beijo um doce capaz dominar seus domínios, refugiando-se como refém das suas buscas. Nunca alguém foi tão feliz ao partir... O sorriso ainda continuava ali, os sonhos de criança teimavam em não morrer, e não morreriam. Se são das recordações que se constroem um passado, é do amor que nascem as poesias! 
Ali, já havia lugar para novidades, estava aceita nas mudanças , sem mais espaço para arrependimentos, a nova poesia surgia no papel em declínio com as lágrimas, lágrimas de saudade, incorporadas no gracejo de poeta que com o qual escrevia... Não atrevo-me a perder as palavras, se sem elas, não teria sentido moldar a alma. Permitiu-se olhar o que nem todos viam, deixou de ver e passou a enxergar, pelos óculos da vida, resgatou-se e alçou voo: Era hora de partir...

(Miquelinne Araujo)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Outras frequências


Sinto como se algo aqui dentro esteja de malas prontas para um outro lugar distante de onde tudo começou... Já não careço de tanta segurança quando o assunto é falar sobre o que quero, aprendi com isso a tomar gosto pelo desconhecido e com tudo o que senti, já me amedronta  a ideia de ficar aqui sem minha presença.Umas verdades ainda busca, outras, já nem fazem tanta diferença assim. Lutei demais por causas perdidas que agora só quero perder, temo ganhar como quem teme perder o fôlego pra sempre, eu tenho medo de ganhar  e vencer todos os meus medos e não ter mais nada para descobrir. Consigo me olhar com carinho, sinto ciúmes de mim quando estou longe das minhas ilusões. Não que eu esteja cansada, não é isso, apenas aceitei que tudo passa e só restam lembranças, e que ninguém além de mim saberá o que fazer com elas. Se for preciso esquecer, que eu esqueça das certezas duvidosas que penso ter, que eu esqueça de chorar e apertar meus anseios como algo preciso... Que eu esqueça de esquecer tudo o que vi e me fez permanecer com aquela velha sede do inalterado. E se for pra lembrar?Que me lembra de todas as vezes que eu desisti cansada de tentar algo novo e continuar querendo o antigo, que eu lembre das lágrimas que eu gerei e do incômodo que eu fui (se é que ainda não sou). Que nem de longe tire da memória as noites que eu dormir em paz comigo e com o mundo lá fora, que recorde de jogar fora tudo que direciona ao que tenho de mais certo. Por que se eu realmente me conhecer perderei a vontade de me sentir diferente e isso será pedir pra deixar de sonhar. Com pensamentos tortos, e uma vontade instigante no olhar e o molejo da alma que periga se eternizar, vejo perto a distância entre ser e querer estar, e assim, querendo ou não, estou viva! Hoje minha vida tem fome de mundo, fome pelo novo, pelas dúvidas e por tudo o que é duvidoso, quero me ver apartir dos outros como alguém que ainda quer chorar, que almeja mais arrependimentos, por que eu ainda gosto de esperar que tudo dê errado, busco um futuro que talvez nem aconteça...Mas tudo bem, o bom de cometer erros é a chance de recomeçar, e disso, Eu não tenho mais medo.
(Miquelinne Araujo)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Fim da Melodia



Sacia a piedade entre efeitos, congratulados aos pontos libertos...Permite o afastar , por deveras espera: bebe a sede do amor gratinada de saudades. Embora sejas, não resguardo à lembranças passadas, formadas pela certeza de falta acumulada no ventre solto. Jovens pesadelos destroem velhos sonhos, derrubando fronteiras que choram a grande distância...Ao sentir o mesmo tempero, já apavora passar de novo no mesmo tom, esperar pelo que definitivamente está de mudança e pretende não voltar. Um ano não passa rápido, o oposto, ele embaraça as verdades, modifica sentimentos e alimenta no peito a ânsia pelo novo, e a cada fim de estação, interrompe a diversão dos dias, a subtração da perca e a divisão do amor! Um ano jamais leva consigo o que você guarda no profundo da alma e talvez de tanto insistir, nunca ninguém o rompa. Foram e ainda são duas metades de um dom ainda desconhecido, capaz de transforma vida em plena disputa, certo de que nada permanece inalterado ao lado da constância de um olhar, ainda sendo mais fácil entender as palavras, pois escondem rostos(Muitos que não conheço) e apenas sugerem vozes inventadas, cria-se assim, um sentimento sem fio, calculado na construção das voltas. Por si e para si, o tempo não é dono das curas nem responsável pelas mudanças, o que se forma, é a alteração de certezas em "talvezes" , de amor em "paixão", do frio em calor , do desejo em indiferença e do nada em sobras jogadas ao vento teimoso , mediante das fontes incontroláveis da saudades.


Miquelinne Araujo

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Nada de Adeus



(...) Como em um livro, as histórias aqui se renovam numa mutação de sentimentos, rasgando páginas, borrando letras em capricho, eternizando capítulos! Os números crescem em ordem sossegada, as mudanças mudam até o que não precisa mudar, por precisão de um olhar seguro que prove da dor a parte que apenas concilia o vínculo com a liberdade, já que os cadeados não aprisionam o que já nasceu livre.
Os passos foram dados devidamente como o plano sugeria, na beleza que transcede do irreversível que penetra veia por veia do espírito que morre, abrindo espaço para novidades, impostas sobre a superioridade de cada um que se atreve reconhecer-se, submersos em si sob o sua passagem,  descomprometidos com bagagens anteriores, daqui a pouco será  futuro que estampa novo em 365 novos amanheceres, que se deitam cansados após 365 noites aproveitados no melhor que a lua podia proporcionar!  O salto desse sapato está desgasto, há até quem já prefira estar descalço, cansados da postura incorreta cometida durante sequências claras do que se pediu do acaso, figuramos assim, um Ano Novo... 
 E nada muda até onde há a permissão de mexer, querer transformar a agonia em uma nova poesia que traz lágrimas, mas vesti-se de roupa branca como quem promete tudo e apenas recomenda-se dos erros, levando pro lado o que deveria estar a frente, de roupagem apenas visível aos olhos de quem almeja recomeçar! 
Esqueço as antigas canções e abro a porta de frente para novas melodias que sei que ainda vão tocar n'alma, mas as vezes ainda revivo cenas buscando sentir novamente o sabor em vivê-las, por que foi bom, continua sendo bom, sempre será bom...
Pego-me vez ou outra, roubada da realidade e levada de junto ao que não queria ver morto, pego-me pegada no perigo que é buscar no passado algum detalhe pra ser imposto no futuro, perigoso será se eu encontrar, então, o que faremos? 
Não é que seja triste finalizar esse último capítulo, mas é que sei que será difícil reunir novamente todos os traços que no início estavam inertes no silêncio trazido de longe, foi necessário perder para me encontrar, e encontrando-me, supus ser melhor estar perdida do que parada, vendo tudo passar e nada querer!
Na areia planejo novos sonhos, não pra mim, pra nós, para vocês que se fazem eu no instante que se permitem me conhecer, e que novas esperanças se reúnam e nos reúnam, nos unam, nos mudem(se preciso for apenas), e que não se quebre essa promessa de novo, as únicas que não permito se esvaírem na solidão,   pois matando a promessa, também mato a tudo que creio,e no que creio, é na maravilhosa metamorfose, modificando números e vida, modificando eu, você e ele, nos ensinando a cair, e quem disse que isso é adeus? Não, se faz bem não se pode despedir, apenas esperar alegre pelo próximo reencontro, ainda que na memória, ainda que nessa mera poesia...


(Miquelinne Araujo)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Refúgio


Quebrou-se , vidro de sangue vermelho, 
manchado pela dor de ver partir a essência do tempo, 
tempo que também se vai, tempo que só destrói. Duvidando 
de seu força, o barco flutua nos mares da indecisão, penetrando de arranque naqueles que o seguem, sendo como fim de uma nuvem que chora transformando-se em chuva...Desaparece então o encanto, e antes que fosse aurora, anuncio o crepúsculo, trazendo consigo o que resta de brilho e o que de alguma forma, ainda permite-se ver. Finda a tempestade no coração, dá-se lugar ao arrependimento e coloca-se em prática tudo que se pôde aproveitar, mantendo a aparência de um anjo e trazendo no coração, toda a sorte de não sê-lo. Será realmente que um erro pode condenar uma vida toda? Ah, é um encanto doce, uma amarga certeza, um brilho no escuro, é uma metáfora que dispensa  conceitos, sendo que o poder da visão pode até iludir, mas não pode encerrar.  E não é força que desvenda, no que o brilho terreno não encabula, timidamente se enxergam horizontes , onde nem por uma vez de deixou de acreditar. Dos anjos faltou-lhe apenas asas, mas se as tivesse, o Voo seria tua escolha e vê-lo partir, faria tudo que é concreto desmoronar em águas salgadas, descidas da fonte de todo sentimento e levados de junto até beco sem saída, ali, teria apenas duas escolhas: Ou viveria pra voar, ou voaria por amor e em nenhuma delas, poderia tu voar...

Miquelinne Araujo

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vítimas do Acaso



Silêncio!
Enfim repouso calma e tranquila na frente de um espelho retorcido sugerindo opção...
No contexto seria apenas desconcerto de algo que nem quebrado está, mais do descaso se formulam páginas prolongadas contadas em histórias de humanos apaixonantes, autores da própria dor e fugitivos de um sorriso. Somente ao ar seria prisioneira, das rotas que já não mostram nada além de pontos cardeias embaralhados e contrários, manisfestando apenas o desejo de ser feliz em toda a plenitude que se pode explicar! Deixo apartir do sonho a única certeza de ter e ser ao que se pode querer, pois se não tivesse estado e passado pelo experimentei, jamais seria o resultado das minhas ações e dos meus sentimentos: Seria apenas sombra do destino, catalogada e pronta a se industrializar aos sentidos, captando do sossego somente o que de resto, não mais serviria a não ser para separar do conjunto o que tudo significa vazio... No silêncio, enxergo sons que ouço através do cortejo que se dá d'alma pra alma, cortando do peito a ânsia de dá o melhor que decifraria a sensação de estar em voo plano em um céu de escamas e poucos anjos, posto que a chama do segredo já era apagada a muitos, e brilhara a mínimos. Aceitaria sim o desaparecimento de fadas se fossem substituídas pelo doce que um dia fez-me ver o refém de minha música e que agora nada mais me comprova de que pecado também se veste de boa roupa e tem máscaras que até o amor desconhece.
Seria então o amor o mendigo que pede ajuda para não morrer ou a vontade da morte em se torna vida? 

Miquelinne Araujo