sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Nada de Adeus



(...) Como em um livro, as histórias aqui se renovam numa mutação de sentimentos, rasgando páginas, borrando letras em capricho, eternizando capítulos! Os números crescem em ordem sossegada, as mudanças mudam até o que não precisa mudar, por precisão de um olhar seguro que prove da dor a parte que apenas concilia o vínculo com a liberdade, já que os cadeados não aprisionam o que já nasceu livre.
Os passos foram dados devidamente como o plano sugeria, na beleza que transcede do irreversível que penetra veia por veia do espírito que morre, abrindo espaço para novidades, impostas sobre a superioridade de cada um que se atreve reconhecer-se, submersos em si sob o sua passagem,  descomprometidos com bagagens anteriores, daqui a pouco será  futuro que estampa novo em 365 novos amanheceres, que se deitam cansados após 365 noites aproveitados no melhor que a lua podia proporcionar!  O salto desse sapato está desgasto, há até quem já prefira estar descalço, cansados da postura incorreta cometida durante sequências claras do que se pediu do acaso, figuramos assim, um Ano Novo... 
 E nada muda até onde há a permissão de mexer, querer transformar a agonia em uma nova poesia que traz lágrimas, mas vesti-se de roupa branca como quem promete tudo e apenas recomenda-se dos erros, levando pro lado o que deveria estar a frente, de roupagem apenas visível aos olhos de quem almeja recomeçar! 
Esqueço as antigas canções e abro a porta de frente para novas melodias que sei que ainda vão tocar n'alma, mas as vezes ainda revivo cenas buscando sentir novamente o sabor em vivê-las, por que foi bom, continua sendo bom, sempre será bom...
Pego-me vez ou outra, roubada da realidade e levada de junto ao que não queria ver morto, pego-me pegada no perigo que é buscar no passado algum detalhe pra ser imposto no futuro, perigoso será se eu encontrar, então, o que faremos? 
Não é que seja triste finalizar esse último capítulo, mas é que sei que será difícil reunir novamente todos os traços que no início estavam inertes no silêncio trazido de longe, foi necessário perder para me encontrar, e encontrando-me, supus ser melhor estar perdida do que parada, vendo tudo passar e nada querer!
Na areia planejo novos sonhos, não pra mim, pra nós, para vocês que se fazem eu no instante que se permitem me conhecer, e que novas esperanças se reúnam e nos reúnam, nos unam, nos mudem(se preciso for apenas), e que não se quebre essa promessa de novo, as únicas que não permito se esvaírem na solidão,   pois matando a promessa, também mato a tudo que creio,e no que creio, é na maravilhosa metamorfose, modificando números e vida, modificando eu, você e ele, nos ensinando a cair, e quem disse que isso é adeus? Não, se faz bem não se pode despedir, apenas esperar alegre pelo próximo reencontro, ainda que na memória, ainda que nessa mera poesia...


(Miquelinne Araujo)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Refúgio


Quebrou-se , vidro de sangue vermelho, 
manchado pela dor de ver partir a essência do tempo, 
tempo que também se vai, tempo que só destrói. Duvidando 
de seu força, o barco flutua nos mares da indecisão, penetrando de arranque naqueles que o seguem, sendo como fim de uma nuvem que chora transformando-se em chuva...Desaparece então o encanto, e antes que fosse aurora, anuncio o crepúsculo, trazendo consigo o que resta de brilho e o que de alguma forma, ainda permite-se ver. Finda a tempestade no coração, dá-se lugar ao arrependimento e coloca-se em prática tudo que se pôde aproveitar, mantendo a aparência de um anjo e trazendo no coração, toda a sorte de não sê-lo. Será realmente que um erro pode condenar uma vida toda? Ah, é um encanto doce, uma amarga certeza, um brilho no escuro, é uma metáfora que dispensa  conceitos, sendo que o poder da visão pode até iludir, mas não pode encerrar.  E não é força que desvenda, no que o brilho terreno não encabula, timidamente se enxergam horizontes , onde nem por uma vez de deixou de acreditar. Dos anjos faltou-lhe apenas asas, mas se as tivesse, o Voo seria tua escolha e vê-lo partir, faria tudo que é concreto desmoronar em águas salgadas, descidas da fonte de todo sentimento e levados de junto até beco sem saída, ali, teria apenas duas escolhas: Ou viveria pra voar, ou voaria por amor e em nenhuma delas, poderia tu voar...

Miquelinne Araujo

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vítimas do Acaso



Silêncio!
Enfim repouso calma e tranquila na frente de um espelho retorcido sugerindo opção...
No contexto seria apenas desconcerto de algo que nem quebrado está, mais do descaso se formulam páginas prolongadas contadas em histórias de humanos apaixonantes, autores da própria dor e fugitivos de um sorriso. Somente ao ar seria prisioneira, das rotas que já não mostram nada além de pontos cardeias embaralhados e contrários, manisfestando apenas o desejo de ser feliz em toda a plenitude que se pode explicar! Deixo apartir do sonho a única certeza de ter e ser ao que se pode querer, pois se não tivesse estado e passado pelo experimentei, jamais seria o resultado das minhas ações e dos meus sentimentos: Seria apenas sombra do destino, catalogada e pronta a se industrializar aos sentidos, captando do sossego somente o que de resto, não mais serviria a não ser para separar do conjunto o que tudo significa vazio... No silêncio, enxergo sons que ouço através do cortejo que se dá d'alma pra alma, cortando do peito a ânsia de dá o melhor que decifraria a sensação de estar em voo plano em um céu de escamas e poucos anjos, posto que a chama do segredo já era apagada a muitos, e brilhara a mínimos. Aceitaria sim o desaparecimento de fadas se fossem substituídas pelo doce que um dia fez-me ver o refém de minha música e que agora nada mais me comprova de que pecado também se veste de boa roupa e tem máscaras que até o amor desconhece.
Seria então o amor o mendigo que pede ajuda para não morrer ou a vontade da morte em se torna vida? 

Miquelinne Araujo

domingo, 27 de novembro de 2011

Do que vai, do que volta!



Após tanto tempo, tantas quedas, tropeços, chegando quase ao final, achei escondido num canto dos meus sentimentos,  um apelo da alma, fui escutando gritos, folheando páginas, revivendo as incertezas do acaso...Uma vivi, outras são rabiscos de inocência, outras ainda permanecem em branco, outras nem tanto, retornei em risos às tímidas, amarrotei as diferenças, mas, não há como evitar, parei nas que traziam lembranças de desespero, ainda revertidas do temporal, umas tinham esboços , outras estavam em resumo(Talvez para não reviver novamente a dor)...Vestígios ainda vivos de sonhos, passei sem olhar as que sugeriam  letras trêmulas de medo, até encontrar nelas as respostas...Confesso, tentei  passar a borracha em alguns capítulos, apagar, mais o passado teima em não desaparecer (Ele se Refaz). Admito, estranhamente, foi o melhor de meus ensaios, de minhas tentativas, foi lá que me tornei o que sou: Pura teimosia , cresci pra baixo, enraizei -me, aprendi a não me ferir,suportei as ventanias. Com o tempo, furtei os sorrisos, tatuado nas lembranças, guardados sob segredos. Tento viver intensamente, sem fugir dos recomeços, sem antes não passar pela travessia. Muitas ainda são as páginas em branco, somente eu vou relatar...O fim nunca esteve tão longe! Tenho o cuidado e o capricho de acariciar cada palavra, "bordar"  cada letra, cada sentimento, cada expressão.Foi assim, que resolvi abraçar-me como nunca abracei,
com todo o corpo, um toque visceral,
logo vi que talvez... fosse ainda ficar vazios,
como ir sem ficar, como ficar sem partir.
Tive que pactuar com o destino a minha ausência,
ir embora, sem deixar de existir.
Não teve jeito... virei poeta,
coloquei nos versos, pedaços de mim, pedaços da minha alma,
passei a ficar nas palavras, em cada expressão,
do desespero da partida, ficou a certeza da despedida.
Estou calma e tudo hoje me aquieta,
não estou em desassossego, nem sou mais inquietação.
Só assim, pude me olhar em silêncio,
e tudo hoje é calmaria.
Continuo  amando até o fim... em demasia.
Pensei, antes de partir... deixar um pedaço da minha alma.
Não consegui... a deixo por inteiro com todo o esplendor...

Miquelinne Araujo

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Um pouco além


 Eram vidas transportas, que elevadas já iriam ser luz. Foi descobrindo o medo que perdi a coragem pra desistir... E tudo tava lá, descaído, sem formas, o olhar que antes penetrava gerando arrepio, hoje só traz lembrança que nem merece memória. Vi passar a pressa acompanhada do desajeito e presenciei a queda da ilusão: o nunca se transformou em única verdade aceita, transformando o infinito em algo simples, tirando o brilho daqueles que apenas sonhavam em mudar o rumo para algum espaço onde sonhar não fosse desencanto. Infelizmente, disse adeus a muitas flores que reguei cautelosamente, mas sou capaz de não chorar vendo que existiam outros jardins mais merecedores dessa maior beleza . Aprendi assim a ver a vida de um outro ângulo, já aceitei o fim como algo que de certa forma será recomeçar , domestiquei meus sentimentos e só assim deixei de ser dona de mim, pra ser dona de meus sentidos...Hoje não espero mais a volta, não  conto horas para partir, eu aceito o futuro, só não aceito dizer adeus a certeza de que os que amo estarão sempre comigo, guardados onde nada e ninguém poderá roubar. Talvez a vida seja um sentido em busca de perguntas, ou uma pergunta que merece respostas, mas sinceramente, prefiro dizer que a vida é aquilo que acontece no limite do limite, é a força que move a morte e abre espaço pro amor...
Por isso, aceito as tempestades como algo desafiador, e essa "tempestade" também vai passar!

                                     Fé

Miquelinne Araujo

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Dúvidas?



Ando a provar do gosto bom que o gosto tem...
Sentindo o frio abstrato que convence a partida e afrouxa a linha de chegada (Será sonho ou ilusão?)
Sinto também como se algo aqui dentro eclodisse no vão do silêncio, algo que é contemplador, será que é amor?
Tô vendo muita sede pra pouca água, enxergando muito ódio pra pouco amor...
Algo assim sem tradução, um "algo " que é martírio pleno no abrir de um sorriso , onde poucas ou muitas vezes pouco se ouve a não ser o que convém escutar!
Há mais de mim naquilo que não sou do que eu suponha saber, o imprevisto é minha roupa de preferência secas ao sol da plenitude e soltas ao vento para voltarem ao longo de onde nada formula ou consente: Será novamente amor?
Apesar de depois, ainda serei capaz de corrigir ao antes, não sem nunca ter visto o que espera, ou mesmo não adorando o que vejo ir, mas serei atenta e a tudo que vier a porta desse sentimento, serei inverso que é reutilizado, não como casca, mas como recomeço.
E de sobra soprarei prudente aos sonhos que a vida se encarrega de projetar ainda que não sejam sonhos, será arrancado de tudo o pouco que submete, forma mais simples de pecar e continuar santo, aceitando o começo como algo novo e não como decepção...
Por sem ser sendo a sugestão, aceito o convite do destino de embaralhar outra vez, esconder o que não preciso e demonstrar o que perdeu, posto que sempre será aceito a dor, mas não sem antes de saber que ao menos pra doer, valerá a pena!

Miquelinne Araujo





segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Outra Lua



Não gaste o que poupa no resto da noite.
Arranja espaço suficiente e guarde os cascalhos de teu gostar.
Pequena Criança, espera tua vez, no amor encontrará luz própria...Aquieta a ansiedade, se existem os que te machucam, também existirá quem te cure. Busca novos portos , guardando teu coração usado e reutilizando tuas lágrimas onde possam morar sozinhas. Ah, Querida Pequena, leva-te ao teu centro e cansas tua teimosia: espera tua hora sossegada, o amor já a fez apressar, agora te senta no colo da piedade e destroe os laços que inda insistem a te levar pro passado. Acalma teus passos ligeiros e liberta esse riso tristonho...Soberana sobre teus poderes, escolhe o lado do oposto onde tua verdade é mais fácil que teu pranto. Dorme  singela em teus encantos, descortinando toda a mancha do que é ilícito em teu pulsar, sendo certeza que passa ou dúvida permanente.Afaga o brilho em teu céu, colore tua alma na cor da vida, assim como quadro que é sólido nos pesares que a  dor ainda te permite sentir. Os medos ainda estarão lá Criança...Mas cabe a ti a força que destroe lentamente, traduz a saudade que ainda doe, mais que de certa forma, já gera encanto...
Olha, tua força cresce onde nem tu mesma consegue chegar, teu impossível gera opções contrárias e somente você escolhe teu bem. Assim o faz, Pequena dos sonhos gigantes, que já será o caminho do teu novo amor, acompanhado apenas das lembranças que em verdade, já te fazem grande...

Miquelinne Araujo

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Já se perguntou por que mudamos?






Já se perguntou por que mudamos?
Por que aquilo que era o necessário passa a ser insuficiente?
O que era completo agora é uma lacuna insuportável...
Uma falta de nada, uma vontade de tudo. Tudo queima nada aquece...
Vontade de sair dali, sair de si, sair do certo.
O que tremia sua alma, agora não distrai nem o seu olhar.
O que te enchia de sentido, agora é tão vago como um labirinto de vento.
A alegria de “estar” acaba dando lugar a vontade de voltar ao inicio e não acordar vindo de outro planeta se sentido só.
Não quero tempo, sei o sentido que ele faz.
E acredite; eu não quero esse sentido, pelo menos não agora.
Quero fugir, tenho caminhos, mas e o combustível? É o bastante? É sim! 
Mudar não é egoísmo, é amor próprio.  Isso basta! A ferida que sangrou já me fez sentir prejudicado uma vez, mudar é o melhor.
Quero um trevo de cinco folhas que é muito mais raro.
Quero a perfeição do espelho, Essa perfeição que faz estrago,por que antiga perfeição não passa de quadro surreal onde cores te impressionam, mas as formas não te tocam, pelo menos não me tocam. Nada me toca mais.
“Ultimamente vejo milhões de fotografias e acho todas iguais”.


E o sentimento? Nada impede que ele empedre mesmo crendo-se infinito? 
A resposta é nada... O fim de um sentimento é mais concreto que seu inicio, é mais nítido quando acaba do que quando começa. No inicio você não enxerga erros, no fim você não vê nada além disso.
Soa-me falso... De brinquedo... De mentira... Humano...
O que fazer quando acaba?
Se contentar... Se tudo mudou é por que não era concreto e se não era concreto não merece memórias.
O sentimento não dói quando acaba, o que dói é a sua continuidade depois do fim.
Não quer dizer que tudo foi mentira, o que aconteceu continua estático, naquele momento foi real, uma variante de tempo e espaço, onde uma das coisas constantes é a mudança.

(Welligton Magalhães)


Miquelinne Araujo: Não me canso de dizer que és um dom tê-lo como amigo, mesmo que distante (Agora comprovo que anjos existem e fazem das palavras sua morada)...Parabéns Marujo!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Deduz



Se vão ou se ficam, só eu poderei escolher. No resto que sobra só respiro em teimosia, chegando  na linha e lá abandonando os medos. Foi encanto que seus olhos não podem explicar 
e que a sua  boca nunca irá desvendar. É a mágica
 ternura de querer tanto, capaz de esquecer aos olhos
 e só dá sentido ao coração. Uma poesia sem começo, 
mas de fim previsível, você ficará sempre aqui e eu 
permanecerei nas lembranças, no frio e nas cartas, 
cartas que te envio pelo desejo de estar ao teu lado
 ainda que em sonhos, pois essa ilusão me parece 
mais doce que qualquer beijo. Tua forma de 
levar o que nem eu conheço: Estranho, 
mas até os poetas se rendem ao seu 
poder. Sou eu quem comanda
 o que entra e o que sai, 
mas teu nome estará aqui 
eternamente, escrito em 
letras permanentes
(Nem o tempo há de apagar). 
Tornaste mais simples
 a maneira de 
entender o inexplicável,
 pois és o impossível 
que me emerge no mar
 dos anseios
 e me afoga na dor 
de vê-lo partir. 
Fique um último momento,
 aquele em que te senti sendo eu,
 aquele em que eu fui mais você do que você mesmo poderia ter sido, 
aquele em que te senti meu...
Um dos sonhos de estar sempre ao teu lado,
 ainda que nem você saiba que és o meu "você",
 que me leva das noites o melhor do medo de amar.

Na ilusão 
e
 pra sempre...
 Sigo te amando♥


 (Miquelinne Araujo)

sábado, 29 de outubro de 2011

Sem inspiração



"Fracos imprudentes na beira que leva ao precípio: pensamentos são chaves relativas ao dom de esperar mesmo onde o recomeço sugira dor.  Seguro nas mãos do acaso e de embalo sigo curta na emoção, a melhor verdade é aquela que é dita no silêncio... Transpiro poesia como quem produz oxigênio, alimento o solo da dificuldade com a possibilidade, e assim, a doação se faz em partes iguais ainda que o vazio diga ecos que nem a própria terra seria capaz de traduzir. Será mais uma vez como agir de impulso, voar sem plano e caminhar sem rota; se a inspiração se vai, o amor se aproxima...Continua tudo bem. A poesia só envolve suposições quando é paixão, a certeza nasce do amor e no amor ela se torna prece; se for destino, é imutável...Pois os dias vem e vão, as horas não importam como o que se fez apartir do seu tempo, os motivos viram punições ; as certas estão de malas feitas, o destino mudou, permiti que as lágrimas se calem dentro delas, pois no peito não se cabe uma gota a mais... E com o sorriso inconsequente, a malícia de um poeta , os planos de adeus: Se faltarem motivos pra sorrir, inventarei-os!"

(Miquelinne Araujo)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Reflexo



Frente aos pensamentos, enxergo mas do que vi...Início de outra volta por mim, patética e ridícula, mas necessária.Quem sabe daqui pouco tempo terei novamente culpa por estar parada , no êxtase, descalço os pés e rotulo o que sinto. Se falta pouco, inda não sei, e prefiro deixar em reticências, carregadas as soltas para que se possa refazer em cada novo gesto. Sei que talvez nunca volte a ser o antes, e se for, não será como já o fui. Nem diferencio se sou o que vejo ou aquilo que falo, perdi verdades no reflexo, transformei-me em parte oposta, contraditória em tudo que se pode tocar, insatisfeita no vão das coisas. Sou mudança incompleta, aquilo que sei me modifica em linhas, serei tinta que falha, escreve errado o que se tem como certo, pois sei o que demonstro, assim como tudo que ainda não descobri. Vesti escuro, proporciono calor no rosto sugestivo, ora triste, ora alegra, depende dos olhos que o cercam, sou mil contradições em uma única certeza: A de que jamais serei embalagem, pois sou adepta a refazer e até o que não sou capaz de sentir me faz real. Recuso a mesmice assim como embaraço o baralho da minha vida, serei monstro das noites quietas, inveja dos choros calados e anúncio da chegada receosa, preparada pras escolhas pois que a poeira desenha nova carapaça onde sorrir rabisca os tons e reconcilia as metáforas; finalmente o espelho produz imagens ocas, reconheço-me  e transmuto...Que pena, era só sonho, hora de acordar!

      Um adeus as tempestades e ao sabor de inocência, chegou o tempo de escolher entre ir e ficar, e escolhi pelos dois,
 optei por partir e voltar, recomeçando outra vez
 a descoberta de mim, que nada
 mais sou do que sonhos
 em 
construção.

        Miquelinne Araujo

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Castelos de Ilusão

Mas... e se a realidade não passa de mera ilusão?


"O período da falta não corresponde mais a certeza do prelúdio, os pensamentos se chocam com as veracidades do olho fugitivo e as esperanças alçam voo perante a sensatez: Chegada de novo dia!
Envolvidos na caridade de amar por vezes, esquecendo até mesmo da fina capa que encobre os adjetivos, deram-se sequências de dores, derramou-se líquido vindo da alma e por hora, restou apenas certa a busca por novas direções. Os trilhos mediatos não servem como medida, são variáveis e metamórficos, crédulos em sonhos, mortais em corpo.Mortalhas dispersar que sugerem respiração aguçada e penetrante, corpos sem vida de almas perdidas, entristecidos pela sombra do sol, aquecidos pelo frio vago e contínuo do luar. Opções, desfechos, fim do primeiro ato: Apoderou-se então do relógio o tempo, aprisionaram-se a doçura, o enternecer e do intervalo, volta a prudência em escolher por dois, pois se existem escolhas, não existem amores! Questões nuas, cruas e passadas, decidi por não mas sofrer pelo o que é substituível, que dure o necessário a se fazer lembrança, aconchegue bastante a ponto de causar saudades, sufoque o desvalido sentir da perca e liberte pois, o fim depois da volta. Optando por três saídas, abre-se apenas a desconfiança de por onde melhor atravessar, a vida já não é fácil, pra que complicar?"

Miquelinne Araujo

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Molduras,vozes sem rosto!





O fim que renova as forças e entoará uma nova canção. Um relógio que parou no tempo para medir o descabimento do amor e que não permite voltas sequestradas, pois é paixão em horas e busca incessável pelos minutos que escapuliram das mãos.Foi sim, e cada novo pulsar, sugere viver e morrer, mas dentro de si, donde nenhuma voz se não o silêncio é permitido. Queria só invertes, trocar papéis e ser dona da "música", cantada em sopros e poucos suspiros, trazendo surpresas e novos segredos, que na alma não caberiam!Produz a mesmice daquilo que não é, e se constroem apartir do se foi, renovando o verdadeiro sentido se "ser". Os lábios ainda assim, mostram, calam a penitência com o toque rendido,  esperado  e prologando ao cubo pelo súbito desejo de unir em dois o que é apenas um, por fé e não pretensão. Que vá então ao céu e tragas a mais brilhante, capaz de espantar a certeza de tua solidão, pois não serve de abrigo uma moradia revelada em terreno fértil e plano, queres viver do gosto errado, daquilo que é pecado, onde o sabor do erro esmague a dor de esquecer. Querido incerto, dono de voz convidativa e olhos preenchidos, que impõem limites e se tornam ilimitados, descubra-me por cima de teu poder que é olhar cuidadoso e quebre de si, estes quais nada menos merecem do que a paz de ser amado na esquina de tua sede...
                                   Docemente amargo...
                                                                      Tua voz!


(Miquelinne Araujo)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Velhas Lembranças


Eu te amo...
Tu me amas?
Eles ainda se amarão!

Nos engasgos e soluços, pouco pode ou nada, talvez tudo...Pois foi cedo, e nunca tarde.
Senti sim, as vezes que demorou-se a partida, doeu e ainda doi.
Preferencie por esquecer aquele monstro tenebroso e também necessário, que fez da solidão um refúgio do qual nunca quiz estar. E se foram meses, foram-se certezas, e ainda vão com elas lágrimas, seladas e envelopadas, capazes de curar e fazer lembrar o que nunca esqueci. Não sei se é, se já foi, ou se ainda será, apenas levo a coragem de arriscar entre penhascos a sorte  de escolher por voar... Odeio conjungações em pretéritos imperfeitos! Mostrando-os apenas metade de um todo incompleto, metaforicamente
 surpresa e por dentro, casa oca e opaca, eco transmitido de uma  verdade aguda que  cala. 
Quanto tempo depois da primavera o vento ainda espera para relevar ao lugar as folhas que o outono recusou... Tempo precioso e gasto com outroras desfrutadas de maneira singela, e o sorriso que não mais acalma! Não aceito mais fins em minha vida, recuso a embalagens (gosto de conteúdo), busco sorrisos sinceros em pessoas "falsas", procuro por amor nos "sem corações", transmito paz na minha dor e me renovo a cada renúncia, me prosto de poesia  e sangro amores que já foram e decidiram por voar.
Tardes quentes embalam as lembranças que guardei, o gosto de beijo ainda permanece apesar das decepções e o abraço prometido se tornou promessa desgastada, que desmereceu a realidade enfática que sobrou. Os efeitos que construi, são suficientes para colorir uma vida sem cor, pintei arco-íris  e baixei o véu da inocência: Agora sou eu quem comando o que vem e o que vai, e o que a vida recusa, eu arranco dela...

P.S: Por que nunca se vai verdadeiramente ao fim, onde o profundo do futuro presenteia o passado com as recordações do que se passa...Por que recomeçar sem mágoas é a chave para a felicidade!

Miquelinne Araujo

domingo, 2 de outubro de 2011

Das Cinzas ao amor

Renova-te a alma e refaz teu coração

Como Fênix que renasce do pó indevido e inútil,
será assim o voltar dos tempos vindouros, antigos que acercam as trilhas profundas do coração.
Veias enigmáticas e submersas, afogadas devidamente no leito da noite e vendida em delírios nos amanheceres...
É uma vida, um novo tom, a melhor das melodias!
A música sugeriu aos cantos a renovação da composição e em letras cifradas descobriu tanto quanto poderia querer e desejar: Ela enfim descobriu a si mesma.
Nem mais , nem menos.
Como a vida a inventou e como ela nunca pode ver... As pegadas que deixou na areia, o vento encarregou-se de apagar, o mar é sua inspiração e o choro que antes atordoava, tornou-se réstia precisa para continuar.
"Ela" talvez nem sonhe no que se tornou, mais se compara o brilho eterno de uma estrela que incendia sua própria sorte, virou autora das suas máscaras e até frágil refaz segredos e parte sentimentos...
Nem mais, nem menos.
Sim, ela viu em seu reflexo um refletir de poesia,
Sentiu invadir em sim o convite ao pecado,
Está gravemente vestida de amor e despida de toda e qualquer frustação: Ela que amar e nada mais!


Miquelinne Araujo

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Quanto tempo o tempo leva pra se refazer?



Perdida...Sozinha!
Sem tempo pra novas escolhas, sem tempo pra ter do tempo o que o tempo pediu de mim.
Saudades de uma flor que cativou tanto amor, que engrandeceu-se na pureza de sua essência...
Questão de tempo, adaptação.
Veredas mesmo só construo pra mim, na ausência do que me foi levado!
Rasgo em paredes brancas as recordações de um tempo que já foi colorido...Um tempo que se viveu.
Enxergar além dos planos, requer forças que ainda não aprendi a descortinar. A cada novo sabor, só resta-me lembranças de que muito pouco amei! Que pouco sei...Que nada sou.
De tuas origens não sei o que se origina, mais tudo aquilo que teve origem, se originou de ti...
E o tempo quebrou as vidraças de minhas portas...E vi muita coisa partir, na incerteza do voltar.
Desaprendi a esperar na espera pelo que não veio, e ainda espero, mesmo não acreditando na volta.
Mergulhei num mar onde nem a lua atreve-se ser reflexo...Até ela se despediu, foi pra longe, em busca do calor do sol!
Por entre dúvidas, reescrevi meu destino e hoje sei que o Senhor da Razão é também as horas que vejo passando, que embalam meus versos e me afagam a memória...
Questão de tempo,tudo não passa de uma simples questão de tempo.


Miquelinne Araujo

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Um adeus a Primavera

Avançando mais uma estação na estrada da vida

Se após tudo ainda resta a sombra que persegue a mais decidida de todas as certezas...Recompor!
A fala disposta, é sempre necessária.Ela nasce da realidade e toca o coração das pessoa.
Bem ou mal não sugerem escolha, demonstram valores.
Eu me limito a olhar para o fato inegável de que a maldade se esbarra em nós o tempo todo, de uma forma passageira e liberta...As máscaras que ele veste, são diversas. Por hora sedutoras, engraçadas, mas ele nunca deixa de ser desbotado. Se utiliza de nossa fragilidade e nelas se Adentra, faz seu ninho.
E o bem? 
O bem está presente nos que tocam o coração dos outros e repercutem em si próprios.  Aos fortes é dado o dom de escolher, e fracos, são os que nem mesmo tentam, mas nada considerado por paradigmas humanos, é tudo sentimento.
Só se ama uma rosa se considerar os espinhos que ela carrega. Diferente do que falam, o amor não é cego, o amor é capaz de enxergar além das aparências, do bem, do mal...O amor nos possibilita viver com o contrário, por que o corpo pode não ter mais a mesma forma do passado, mas só nele é guardado as memórias que nos recordam quem somos.
Questão de força não dissimula e muito menos molda pessoas, o amor é arquiteto da alma como em tudo que dela se esvai. Ser forte é admitir fraqueza e mesmo assim  não esquecer-se que tem forças, porém, é humano.Acredite, o futuro está a frente, a vida é real...O amor virá a se transformar por deveras. Mas a viajem  só começa no momento em que decidimos ir. A beleza do incerto que nos espera, antecipa o desejo que nos faz arrumar as malas.
Eu decidi viver assim. As malas estão sempre prontas...Quando eu perceber que a vida me chama, não pensarei duas vezes: Eu partirei!
E você, virá comigo?
Minhas palavras até aqui, podem não ser simples ou fáceis de serem desvendados, mais moldam-se no que vejo e se eternizam no que ouso acreditar, e não que seja sorte, ou destino: É escolha, e eu escolhi por ser amor...Amor e nada mais.E me basta um olhar para perceber que o espetáculo repetido tantas vezes não se repetiu, mas que sua ausência é necessária para a transformação das minhas palavras, que nada querem a não ser falar desse "tal amor"...
(Miquelinne Araujo)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Nada além de amor!

Nada que seja tão pouco que não nos permita satisfação!




Ultrapassar os limites embora sem forças, a lei da vida.
Buscar encontro na desunião e amar a ponto de dar vida pela própria morte!Teorias nada mais são que isso!Se servissem de consolo, não haveria tanto sofrimento...Pode ser que eu seja pequena demais para saber, mais grande o suficiente para acreditar que só os fracos não podem amar...Fortes são aqueles que amam, e se não amam, são covardes. Não é necessário que preocupação em ser amado levante de um todo e venha  corrigir erros:A vida não vem com instruções!Só se engana quem dá permissão ao acaso, e devolve não muito longe as discórdias passadas, que já deveriam ter sido recicladas e reutilizadas para novas experiências.O Livro no qual cada um é autor, é o agora e não que sejamos apressados, mais nós tornamos donos de um monólogo da alma, uma voz calada e sem tom, onde nem se quer os vestígios dominam os pedaços.Não há donos da verdades e nem inventores da mentira, tudo se resume a dois lados, e cada um escolhe por onde deve ir.Trajetórias independentes, criadas por sobre face sólida, estúpidos e perfeitos, a ponto de ainda amar.Perante uma industrialização de caras, fabricação de sentimentos e exportadores de dor, somos comércio ilegal, e revendidos ao próprio si e com altos riscos de devolução.
Centrados na ilusão de existir, vivemos fortes, e mesmo após quedas, temos a força e a certeza que novamente vamos cair, mas que nada e nem ninguém nós impede de prosseguir, por que limite é fim e nosso fim, seria deixar de amar!Por que se é amor, sempre valerá a pena...


Miquelinne Araujo

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Apenas vejo...



E já não faz diferença enxergar.
O que será mais fácil?

Ontem sussurrei ao silêncio palavras de desafio,
recolhi assim respostas...
Teimo sim, em desfaz qualquer laço contra os "nãos" que vindouros, perdem a força cada vez que renuncio.
Trocas desfeitas, há quem chame de "tolos" os que em plenitude, seguem verdades as quais nunca virão.
Desejo? Inocência?
Difícil mesmo é não mais diferenciar, não me recompor cada vez que insistente perturbo a minha alma pra me convencer que tudo, não passou de mais um nada e que sou sim capaz de prosseguir.
Tornei-me fruto moldurado, retrato sem lembranças...Tornei-me trevas nos passos que sugiro aos meus caminhos.
Não buscar ou mesmo não mais querer, por que noites atrás, eu sonhei sim, e a realidade me faz rever que tudo fazia sentido. 
Sem cor, o sabor da vida é o tempero que desenho, a ilusão que construo é o sonho pro futuro e o meu futuro, este desvenda-se a cada atitude, por fim ou por intermédio das reticências, bobagem sim, mais que se torna necessária ao meu olhar e se refaz a cada linha manuscrita, quem mal dirá?
Amor é sim jogo sem começo, e somos nós quem decidimos o FIM.
Escolho por ser testada, por jogar e talvez, me reinventar após PERCAS,
sou mais que espírito,
SOU HUMANA.
Escrito monologado, repassado e amassado, sou presente que não volta, passado que não resumiu e fim que começa apartir das minha vontades.
Poeta do silêncio, manuseio metáforas...E até prefiro que assim seja.

FÉ!


Miquelinne Araujo

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O que você quer ser quando crescer?




Além das primaveras...


Futuro?
Crescer?
Amadurecer?
Se após tudo ainda me restar a ânsia entre as descobertas e mesmo assim o sangue ainda implorar por calor, apenas liberto o grito e que ecoe entre os quatro cantos o que é renovável: A liberdade!
E ainda que se desempenhem as mais variadas formas, transcrevam-se os poemas de forma contrária, pondo frente aos sentimentos uma ideia qualquer, ainda assim , buscarei "novas estações".
Sim, o trem que passava em minhas lembranças, levou desfrutes das primaveras da meninice, recapitulou capítulos que teimava em acreditar que já tinham fim.
Os brinquedos sugeriam distração, nada mais que busca...E essa busca persiste até hoje.
Vestidos de laços borrados, sapatinhos negros, "rabos de cavalo" nos cabelos loiros, um passado prazeroso, distante e encantador.
Amigos passageiros, anos difíceis, infância!
A poesia já existia, mas tava guardada pra ser usada no meu agora.
E descobri o que quero realmente ser quando crescer...
Quero ser feliz e você?

Miquelinne Araujo

domingo, 4 de setembro de 2011

Tropeços e Conclusões





Já não preciso mais que o vento me siga e leve de mim os arranhões que teimosos ainda ardem na alma...Não quero e não preciso. Um resultado inconstante de regras e palavras, simplificado ao máximo e elevado aos expoentes reais de uma dor cujo nome se ausenta no frio da noite e no calor de um abraço mal-dado. Levantada nos nós que desfeitos levam-nos ao chão, estou descalça em uma superfície onde "sapatos" não protegem  contra nada. Cansada de saberem sobre como e sobre o que devo "escrever", julgada pelos que mal sabem "amar" e cantam certezas como quem prova de delicados goles secos em uma garganta enganosa e de voz atraente. Sou dona de minhas vontades e as verdades só guardo e exponho pra quem realmente as merecem... Minha escrita não se deduz pelo movimento do lápis, mas pelo estado da alma, é a linguagem do meu coração.Sem idéias certas, no impulso só transcreve o que acho que é lógico, não para alheios, pra mim mesma! Monopólios de sensações, que se transferem pela face avermelhada, pelo olhar negado..O medo de sentir o que as "palavras" tentam explicar ( nem valem muito, a filosofia perdeu-se). Sentido mesmo só busco nas minhas irracionalidades, elas traduzem, se percebem, conversam e viram textos, não para encantar, mas para buscar de si o seu melhor. Otimizo defeitos...Sou Cinderela sem sapatos,Branca de Neve que não se perde, Rapunzel sem tranças, sou final desproposital, sou filha do mundo, sou língua perdida, sou tudo o que me permito não ser e acabo por me finalizar em entrelinhas, que depois de descobertas, falam mais que as próprias razões.Nada mais de engasgos, nada de vômitos...Eu respiro incertezas e produzo conceitos, favoreço as súplicas e reinicio tudo o que se faz entre desmanchos. Posso até ser poesia errante,mas só de ser poesia, já é mais que suficiente.

Miquelinne Araujo

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Feridas...


Cicatrizes marcam o que nunca se permite esquecer...Não se sabe ao certo,mas a principio, só resta cor!
Transmutam-se sorrisos e outrora, já caem em lágrimas.
Não se finda o certo, assim como nada se busca além de poesia.

Vendo em completo o que me resta, e se dele sobrarem pedaços...Os doo gratuitamente ao fascínio de escrever.
Dores que não descansam, desarmam meu peito e moram em outros horizontes.
Buscando entre nós um laço definitivo para não mais chorar.

E assim como a noite, os reflexos passam...São tão possessos, que me encontram e perdem, com a mesma facilidade entre entrar e sair.

Pessoas nada mais sugerem...E a distância me tranquiliza(Pouco tempo, muita falta e me sobram as certezas)!

Miquelinne Araujo

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sem muitos favores...Sem muitas delongas!




"Um dia se cansa de tudo...Um dia se passa a dor (Um dia recupera o que uma noite pode causar). Rodeados de "absolutismos" , amamos a nós mesmo e ainda queremos retribuição. Causamos perguntas que nem nossa "sabedoria individual" é capaz de desvendar...Tolos humanos que ainda pensam em ser fortes e pisam na parte de baixo, achando-se superiores aos de cima. Juramos tanto amor como quem jura nunca mentir( e esquecemos de jurar a nós mesmo que isso é uma jura).
Papéis amassados, reciclados de orgulho, cobertos de poder e mesmo assim não passamos de papéis, meros papéis que um dia já foram escrita e hoje nos calamos num grito tão silencioso, que nem a própria mente é capaz de ouvir. Ambições maiores que os passos, caminhos traiçoeiros e ainda existe quem diga: O que? Eu sou o melhor! O que me entristece não são nossos erros e sim nossa própria culpa ao errar. Tão perfeitos, tão cheios de si que sobram na sua melhor parte, em seu melhor traje. As qualidades são diminuídas e os defeitos tornam-se exagerados, a existência torna-se um duelo entre ser e ter e no fim, os que tem a coragem de ser, sempre perdem ( Ter ao ser, aqui é bem melhor). A humanidade se transmutou em bússolas quebradas, se desfaz em gestos desumanos e se molda em nossos pensamentos...Fomos tão supervalorizados, que nem poder temos mais. Fomos tão humanos, que hoje somos restos, restos de pessoas que já não sabem ondem chegar e nem querem chegar. Impróprios aos caprichos, a beleza tornou-se atributo para superiores, e nessa casca , entregamos como presente um corpo vazio! Assusta-me fazer parte disso tudo, me olhar no espelho e nem reconhecer ao meu reflexo...Assusta-me tanta luta por ser melhor, onde nessa luta, nos tornamos pior que tudo. Esquecemos nossos valores e nos tornamos guerreiros de uma luta sem fim, onde nem se quer ganhar, vale mais a pena."


Miquelinne Araujo

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Contra-maré

E sinto mesmo como se tudo, fosse apenas tempo em vão...


Sentir o insensível temor entre as palavras...
Já não doem as dúvidas que alimentei, cresci mais  do que cheguei a imaginar!
Recolhi no meu caminho pedras que transbordavam entre diamantes, eram apenas cristais de felicidade que escapuliram pelos dedos dos que não voltaram. Perdi anjos, ganhei pesadelos...Mascararam as sentenças feitas e esculpiram retratos de uma alma que nunca existiu e se existisse, não faria diferença. Pela porta de entrada, chegaram molduras que até satisfizeram a ausência, mas nunca foram capazes de nascer entre si. Repescou milhares de vidas e nelas soberanou-se  a auto-dinâmica de uma lua que só reflete o que lhe é necessário e nem por isso deixa de brilhar. Queria hoje mais do que nunca, fazer brotar no meio seio as dádivas de ser poeta, perante não só palavras e sim perante amores... Os ventos acalmam a tempestade que se fez nos laços silábicos do versar por entre alma, e poucos são os que refizeram conceitos. Reprime em mim a sede das descobertas, talvez me tornei algo que nem mesmo eu conheço e já por isso, me tornei forte. Tinha em mente o poder de ter mais do que me é cabido, por isso perdi preces e refiz orações, pela necessidade contínua de saber que por entre os meus anseios, passeia a veracidade de olhares e fragilidade de uma criança.
Fortes são os que não se descobrem, não conhecem seus limites... Pessoas felizes não concluem, elas eternizam! 

(Miquelinne Araujo)