segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Contra-maré

E sinto mesmo como se tudo, fosse apenas tempo em vão...


Sentir o insensível temor entre as palavras...
Já não doem as dúvidas que alimentei, cresci mais  do que cheguei a imaginar!
Recolhi no meu caminho pedras que transbordavam entre diamantes, eram apenas cristais de felicidade que escapuliram pelos dedos dos que não voltaram. Perdi anjos, ganhei pesadelos...Mascararam as sentenças feitas e esculpiram retratos de uma alma que nunca existiu e se existisse, não faria diferença. Pela porta de entrada, chegaram molduras que até satisfizeram a ausência, mas nunca foram capazes de nascer entre si. Repescou milhares de vidas e nelas soberanou-se  a auto-dinâmica de uma lua que só reflete o que lhe é necessário e nem por isso deixa de brilhar. Queria hoje mais do que nunca, fazer brotar no meio seio as dádivas de ser poeta, perante não só palavras e sim perante amores... Os ventos acalmam a tempestade que se fez nos laços silábicos do versar por entre alma, e poucos são os que refizeram conceitos. Reprime em mim a sede das descobertas, talvez me tornei algo que nem mesmo eu conheço e já por isso, me tornei forte. Tinha em mente o poder de ter mais do que me é cabido, por isso perdi preces e refiz orações, pela necessidade contínua de saber que por entre os meus anseios, passeia a veracidade de olhares e fragilidade de uma criança.
Fortes são os que não se descobrem, não conhecem seus limites... Pessoas felizes não concluem, elas eternizam! 

(Miquelinne Araujo)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Renúncia

                                         
"Por apelar sobre as dores, alimentou-se silêncio que engasgados ficaram em solidão. Supondo em vitalidade, as asas foram retiradas e perdeu-se domínio sobre o próprio voo... O Céu agora é assustador. À deriva em busca de por quês...Por que?
Ainda se falassem de verdades e o coração não acelerasse, ainda assim iriam haver "adeuses". A transformação parte do conceito escrito, mas são as atitudes quem promovem e a ironia devolve sub-máscaras a quem se perde nesse trecho nebuloso. Afogados em águas que transpassam forças, remoem-se pesadelos, e assim,escolhe-se "talvez". Humanos tão humanos quanto as prioridades ditas, sepulcros envolvidos de restos dignos e que buscam a cada instante, algo pra chamar de seu. Somos mais que interrogações, mais que poesias...Somos monstros amantes que envolvidos por sobre o infinito, preferem recuar. Mas já basta, o suficiente é teoria, teoria boba, que ilude as canções e faz brotar apenas linhas indiretas entre o real e a fantasia. Libertar pode até devolver a ânsia, mas jamais retomará as verdades... 
E pouco resta a estas certezas, que já enterradas, respiram lentamente esse veneno penetrante, provam dos prazeres e vão, como quem nunca viu, ou pelos menos, não quis enxergar! "

(Miquelinne Araujo)

domingo, 21 de agosto de 2011

Nada há mais que não possa renascer...



Não...Eu não sei e nem quero que me digas!
Não suponho que me venhas a ouvir, já estou muda e o silêncio apetece em minha alma o que as vozes suspiraram e continua em segredo.
Não senti, e não quero mais ter.

Devolva-me somente o último ser que me esvaiu,
o suspiro que se fez em gritos e a discórdia de ainda resistir.

Apenas volte e me encontre,
mesmo que em simples palavras que nada mais querem se não serem ouvidas.

Não busque sentidos...
busque-me!

Não temo amá-lo assim,
o que receio é assim amá-lo...


Se  antes não me completasse, só revivo imaginários
anjos que me levam aos teus passos,
que me levam a você!

(Miquelinne Araujo)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Entre espinhos e limites...

.....................

"Sagrada confiança que permanece intacta depois de guerras e isolações.
Vento irônico, sagaz sorriso de quem cantou tanto amor e nem sequer soube amar.
Fada do sarcasmo, impressiona pela beleza e nos gestos, a rudeza de promessas que se desfizeram na crua face entre aberta, onde nem sempre, aquela fada quis estar.
Nada mais estava certo,nada mais satisfaz ao meu eco que nem mesmo o vácuo implora perdão.
Poesias que reguei e hoje murchas ficaram , doentes de amor e da cegueira que insisto em intactar nos detalhes que só guardo pra mim. As portas que pareciam saída, desmudam-se e trazem abismos que me levam a um lugar onde os espinhos são melhores que as rosas. Plantei discretamente as sementes necessárias ao meu sobreviver e colhi mais do que pudia querer...
Sempre permaneci estranha diante os meus defeitos, e quis sim acreditar que aquela fada, seria mais uma inspiração...Sempre lutei por aquilo que merecia minha luta, mais todas as gotas que um dia saíram de meus olhos, hoje mostram que lutas não valem a pena onde troféus não trazem paz.
Dias que passei, horas que se foram, pessoas que mudaram, amores que nunca existiram e uma única certeza: já nem sei quem sou!
E dentre tantos outros sonhos, apenas quero de volta a certeza de ser quem já fui e abandonei por instinto de tanto amar."

(Miquelinne Araujo)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

De razões sem razão!

Só é preciso de meias dúvidas para uma certeza completa...

A cada passo uma distância invisível que massacra as mais puras palavras, entorneia verdades e aconchega ao vazio. Punição cruel à um coração que morre, se rompe e congela. Seriam violentos os pulsares de hoje em diante, já por que, não se acredita na forma de ressurreição. Morte entre almas laçadas por um destino que ditou choros e guardou o pranto (Aqui sofre-se em silêncio). Não mais seria dor se não doesse, e a cada novo passo realmente se esquecesse, mas existem coisas que nem mesmo o tempo com seu poder de cura, pode curar. Cicatrizes também inotáveis, dores silenciosas e irremediadas, sem volta, sem vida(a dor até já nem dói).
Os reflexos no espelhos devolvem incrédulos suspiros: Seriam a realidade o reflexo ou a reflexão? 
Os pedaços mínimos, os que nem trazem importância poética, eles fazem falta e são impossíveis de remendar...
Cada mísero cascalho, significa os restos simbólicos entre o "vão infinito da permanência". 
E cada retalho traz a memória do que nem passou e já deixou saudades!
Impenetrável mundo de loucos que mesmo na dor, ainda teimam em "AMAR"...

(Miquelinne Araujo)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Domínio

O que nem sempre é fácil...

Deparo-me com a ausência de lágrimas...
Já vi várias vezes a face da morte, e foram nos dias em que meu coração se sentiu incapaz de amar.
Os medos ainda me perseguem, mas tornei-me capaz de assustá-los, uso como espelho minhas palavras e nelas, os medos se refletem, perdem força e se vão!
Amei a ponto de desacreditar que era amor, mais amei...Ainda amo.
Perdi pedaços, fatiei sentimentos, esmoreci a dor, calei minha voz e acho que sintonizei minha alma com o destino que decidi trilhar.
Desperdicei sonhos em ilusões que nunca seriam nada a não ser pesadelos.
Devolvi paixões, e assim, também chorei.
As lágrimas que nem sempre eram de alegria, mas pareciam desaguar dos olhos...
Já me separei do que me unia, escrevi o que não sentia,
justifiquei certezas em dúvidas passadas a limpo...
Me tornei humana demais a ponto de esquecer da minha humanidade e buscar santidade no amor...
Domino o que amedronta, e baixo guarda aos comandos de quem me alimenta e mata em segundos traiçoeiros que se tornam eternidades.
Ainda tenho muito a descobrir, mas não consigo enxergar a vida de mesmo modo, não consigo aceitar mais interrogações .
Crescer é desafiar a si próprio em busca de si e meu maior medo, é não querer ser quem for descoberto.
Seria injustiça tantos rodeios em volta de mim mesma...E assim, já seria metade de um todo!

(Miquelinne Araujo)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Monólogo

Aos que voltam na presença constante da ausência contraditória!

Por quem passeia em meu silêncio,há de me desvendar ...
Ocultar em gritos, refúgio na simples monologia de revocar em vão o que se perdeu a tempos.
Ando a ressuscitar poemas...
Nem sempre surge dos seus olhos o que os meus gostariam de ver.
Confesso que errei em demasia...provei das desventuras.
Enganei-me nas encruzilhadas do destino e por nada mais que "nada", sou réstia.
Revestida pela não inocência, os desejos são passageiros e transbordam do meu infinito.
Não aceito saltos sem voltas, amores sem certezas e vidas sem erros.
Sou poeta da ilusão, do desconhecido...Sou tanto quanto o como de amar!
E assim pertenço ao cabimento que me cabe amar, ao sepulcro do desespero e o medo infantil de me perder.
Não por medo de não mais achar caminho, mas por medo de me encontrar onde não quero existir...
Por medo do desamor.
Medo do medo.
Recuo em verdades escritas que desafiam a própria contrariedade do amor.
Mas após a certeza, restam-me sopros pequenos do que um dia já foi meu tudo...

Miquelinne Araujo