terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sobras


Não peço nada que não possa me dá... Aceito um gesto pequeno se for isso o que mereço, aceito o silêncio, aceito a compaixão... Aceito tudo e mais um pouco. Me perder nessa busca em busca de mim, fascina-me a ponto de perder o encanto, por que já me perdi de tantas formas e tantas vezes, que cheguei a desistir de mim. Não por falta de força, não foi isso (pelo menos é o que tento me convencer), mas pelo fato de não poder mais me perder naquilo que me encontro, não ouso proclamar além do que sinto que sou, mas essas certezas me escapam numa velocidade superior a que posso me reerguer. De dias tristes, levo a cor que melhor define a tristeza... Dos alegres guardo a essência de apenas serem alegres, nada mais importa! Mas não adianta o quanto eu queira disfarçar esses tons cinzas que vez ou outras teimam em aparecer, colori-los não resolve, apenas maquia... E sei que logo virá outra tempestade, outra ventania, e tudo voltará a ser como era, toda a "maquiagem" descerá , deixando apenas o rastro e a marca que passaram por aqui... Insisto , teimosa, em desenhar castelos onde a planície derruba, sem arrependimentos reconstruo novamente, as vezes cansada, outras disposta... Apenas recomeço! Amor que é amor, supera o fim, amor é ter o dom de mudar... É saber recomeçar do ponto final, apartir de uma vírgula, pondo na frente os maiores medos, guardando nossas dúvidas pequenas... Acima de mim, decidi me amar na reconstrução, aceitando o meu pior e melhor, meus anjos e demônios, do fim não invejo nada a não ser sua falsa profecia de que termina (quem derá realmente tivesse fim). 


Miquelinne Araujo

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Das confusões do meu amor...


Depois de quase tudo, não provou sequer a metade dos conceitos que ousava intitular, dos laços desfeitos e até os que ainda permaneciam em forma de nó. Tão estranho e tão lindo, que se cruzavam em dois conseguindo sentir como um só ( se é que não o era).  A vida seguia escassa de dores, teatralmente disfarçada de novela romântica, vez em quando cansava, mas o coração insistia, e quando ele insiste, quem se atreve a negar?  Pele por pele do jogo de olhar, a sedução da simplicidade e a euforia do choro, todos misturados em uma única sensação, de um convívio viciador, controlado pelo impulso de frente que trazia o passado, esquecido como opção de presente... A embalagem até que acomodava os olhos, mais carecia o coração. Era assim que o pulsar de 17 anos, deixava de ter certezas e se abria convicta as dúvidas, as lágrimas eram o salto do sapato de ilusões que ainda permaneciam nos pés (eram ilusões?). Complicado de mais para os planos, difícil não conter, complicado deixar de sentir... Difícil!
Por que é quando o coração se permiti quebrar que ele ama de verdade, a vida dispensa motivos pra ser feliz.
Quase um ano depois, me reabro a essa incerteza de não saber muito e ainda assim saber o que preciso, sou quase nada do que eu suponha, meramente eterna , eternamente esquecida... Dos sorrisos esquecidos vieram o lugar pra não caber mais nada, o porteiro "tá" atento e dormir significa perder a noite. Só sei que desisti de planos... Essa confusão me convida a somente ir, ir sem rumo tendo lugar pra ficar... Tendo colo certo, tendo sentimento certo... Tendo amor imperfeito.
Feliz Dia dos Namorados.

domingo, 6 de maio de 2012

Sem começo... Sem fim



Por que não faz sentido querer sem sentir...
E as vezes, um simples sorriso tem o poder de me modificar!
Apenas deles é que eu preciso,basta que sejam sinceros...
 Basta que sejam seus.
Tudo o que eu resisti, hoje não traz atração,
quem sabe por não ser necessário...
 Tal necessidade deixou de ser precisa e só me sugere esquecimento,
seria possível esquecer?
 Talvez eu não queria , e continue não querendo,mas o meu coração, esse sempre quis...
 A ordem agora é errar!
Fazendo dos meus erros uma máscara que sirva de rosto para as mentiras que surgirão,para os olhares que se perdem em meio a um avalanche de exclamações, ou esquecendo simplesmente,o silêncio na outra margem de mim...Sentindo que nada vai ser como antes, por que as vezes eu não resisto a saudade. É um tempo que eu sei que não volta, uma doce loucura que me abandona,um sentido sem lógica que permanece!
Por que sem nada, reconstruo os pedaços que derrubei pelo caminho,
Das coisas que eu esqueci de falar,
As surpresas que nem surpreendem mais,
E aquela antiga sensação de apenas sentir que nada mais fazia sentido...
Por que eu ainda preciso de colo,
Eu ainda preciso de escolhas,
Ou quem sabe, só de tempo.
Tempo pra escolher a melhor saída,tempo pra não te esquecer!
Apenas quero me olhar,
Te olhar...
Me entender....Te entender...
Por que a distância recupera em mim o que eu sei que o tempo não vai apagar....
Minha pontaria é cega, e não me mostra outro caminho que não seja você,por que você sou eu no melhor que posso ser,No que de melhor você me faz sentir.
Sua presença será eterna,ainda que nem você  entenda minha necessidade de te ter aqui bem perto,ou por puro descuido, eu esquecer de te esquecer.
Mas é por que não consigo abrir mão de mim quando tenho você aqui, 
não consigo parar de te olhar e sentir aquele mesmo arrepio que você também dizia sentir...
Eu não consigo imaginar distância,  onde só quero mais aproximação. 
Quero mais eu de mim , mais você pra mim...
Não por obsessão,só te quero por amor! Nada mais... 


(Miquelinne Araujo)


quinta-feira, 29 de março de 2012

No fim...



 Alguns dias assim mostraram que não devo pensar em voltar... 
As melhores experiência que presenciei só posso sentir aqui, nas minhas palavras.
Até quando a dor era maior que o afeto, tentei transformar em poesia... Pois é, EU TENTEI!
E dessa forma, me recriei mesmo sem precisar dessa mudança, mudei por gosto, não necessidade... As verdades expostas, me fizeram duvidar mais ainda de quem eu seria, o que sou, talvez o que fui...
Viveria tudo outra vez se ainda contasse com a ajuda dela, a poesia, mas sinto-me triste por vê-la me abandonando assim de uma forma que eu não posso, não quero aceitar. Só que deixar ir, também é uma forma de amor. Amei(amo) tanto as palavras que me recuso aprisioná-las, não poderia fazer isso com quem me libertou. As certezas geraram um tempo precioso que moldou a dedo cada um dos meus sentimentos, reintegrou os encaixes do compasso que eu nem sabia mais que sabia dançar. É ridículo ter desse jeito, ser , sentir, permitir, querer... Mas o ridículo mostra o quão o belo deve ser apreciado. Ser livre e não saber voar, é manter-se preso na ideia que existe liberdade,bobagem, amar é prender, é prender-se, é também soltar, infelizmente, é assim que percebo. 
Correntes, quilômetros, sonhos, LIBERDADE , já me constituíram um dia, remendaram todo e cada pedaço que deixei cair no meio do caminho, colaram as minhas peças ( e reinventaram as que sumiram ), mas quem me curou, timidamente, a seu tempo, foi o amor pela poesia.O impulso  de escrever tá vivo aqui dentro, mas por enquanto, me perdoo por saber que de vez em quando, eu também preciso de tempo pra pôr em prática aquilo que eu dito, é chegada a  hora: Querida Poesia, até breve, a gente se encontra mais logo... 

Por que definitivamente, eu me recuso dizer adeus...!


Miquelinne Araújo

terça-feira, 20 de março de 2012

Sem asas




Posso conciliar a luz com os sentimentos e assim enxergar o que os olhos teimam em esconder...
Remendo sentimentos incompletos na realidade do sorriso fazendo dos sonhos um lugar seguro pra morar.
Tropeçando no meu sentir, sussurrando  as memórias ,teria como não chamar de anjo?
Pleno saber de não saber, de não entender e mesmo assim, continuar por perto, sabendo o que nem sabe, falando o que nem precisa... Sendo presença  quando clamo em gritos por alguém que entenda meu silêncio.
Uma poesia que escrevo pelo fim, que entendo por olhar, pra sentir acho desnecessário tocar, se o que chego a ter for real, dispenso a inconstância, fico então sabendo até o que sei. Olhar preciso de alguém que mora, que permanece em mim ainda que a presença seja apenas sentimental... Meu anjo sem asas do sorriso de lágrimas, da beleza inocente, da doçura de quem sabe se ser, de quem sabe se sentir, de alguém que me faz sentir mais eu sendo o que sou, um alguém que me mostra o que a realidade disfarça ( alguém que me ensinou admirar a ilusão). 
São apenas certezas do que é desnecessário desenhar, por que nos olhares dos que amo, percebi que não preciso de asas para voar...

Aos meu anjos, em especial, Tatiara Araujo!

(Miquelinne Araujo)
          

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

No mesmo olhar...


A insônia sugere que algo não funciona no fim da noite que se esvai...A última lágrima ainda mancha o travesseiro, e os pensamentos confundem-se com os sonhos. Coragem que se esconde no silêncio noturno! Nada mais... O som da música se mistura com o frio de sua alma, está turva e em desmantelo, o que se fala é também o que  a mata (quisera não amar tanto assim).O preço por lutar, é reconhecer a necessidade de estar, vencer é uma consequência ao se falar de amor, ou pelo menos, é o que penso! Se me calarem com um gesto, gritarei com minhas verdades,que são bem maiores que as dúvidas, em descompasso, me enfrento na ditadura de acertar,e demonstrar tudo isso, não tem fascínio...

 Miquelinne Araujo

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Buscar


Mais uma vez estava lá como quem nada conhecia, tudo era atraente a ponto de gerar arrepios... Sua voz deixava de ser doce e tornava-se decidida, os medos abriam espaço para algo novo que nem ela mesma saberia definir. Olhos atentos, ainda observava a lua com certo receio, imaginava delicadamente quem estaria olhando pra "sua lua" e quantos apaixonados deitados a sua luz prometiam amor... A paixão pelo escuro deixava de ser algo anormal e tornava-se parte dela! Naquela noite, tranquilamente atravessou-se de imediato, recompondo nas estrelas um brilho que fazia falta: haveria algo ali vestido de segredo... E segredou pra si mesma um sonho passado, que a solidão já fazia parte e a abraçava como antiga amizade, nunca alguém esteve tão bem  em se sentir sozinha. Seus mistérios estavam envoltos sobre o fim do abraço, trazendo do beijo um doce capaz dominar seus domínios, refugiando-se como refém das suas buscas. Nunca alguém foi tão feliz ao partir... O sorriso ainda continuava ali, os sonhos de criança teimavam em não morrer, e não morreriam. Se são das recordações que se constroem um passado, é do amor que nascem as poesias! 
Ali, já havia lugar para novidades, estava aceita nas mudanças , sem mais espaço para arrependimentos, a nova poesia surgia no papel em declínio com as lágrimas, lágrimas de saudade, incorporadas no gracejo de poeta que com o qual escrevia... Não atrevo-me a perder as palavras, se sem elas, não teria sentido moldar a alma. Permitiu-se olhar o que nem todos viam, deixou de ver e passou a enxergar, pelos óculos da vida, resgatou-se e alçou voo: Era hora de partir...

(Miquelinne Araujo)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Outras frequências


Sinto como se algo aqui dentro esteja de malas prontas para um outro lugar distante de onde tudo começou... Já não careço de tanta segurança quando o assunto é falar sobre o que quero, aprendi com isso a tomar gosto pelo desconhecido e com tudo o que senti, já me amedronta  a ideia de ficar aqui sem minha presença.Umas verdades ainda busca, outras, já nem fazem tanta diferença assim. Lutei demais por causas perdidas que agora só quero perder, temo ganhar como quem teme perder o fôlego pra sempre, eu tenho medo de ganhar  e vencer todos os meus medos e não ter mais nada para descobrir. Consigo me olhar com carinho, sinto ciúmes de mim quando estou longe das minhas ilusões. Não que eu esteja cansada, não é isso, apenas aceitei que tudo passa e só restam lembranças, e que ninguém além de mim saberá o que fazer com elas. Se for preciso esquecer, que eu esqueça das certezas duvidosas que penso ter, que eu esqueça de chorar e apertar meus anseios como algo preciso... Que eu esqueça de esquecer tudo o que vi e me fez permanecer com aquela velha sede do inalterado. E se for pra lembrar?Que me lembra de todas as vezes que eu desisti cansada de tentar algo novo e continuar querendo o antigo, que eu lembre das lágrimas que eu gerei e do incômodo que eu fui (se é que ainda não sou). Que nem de longe tire da memória as noites que eu dormir em paz comigo e com o mundo lá fora, que recorde de jogar fora tudo que direciona ao que tenho de mais certo. Por que se eu realmente me conhecer perderei a vontade de me sentir diferente e isso será pedir pra deixar de sonhar. Com pensamentos tortos, e uma vontade instigante no olhar e o molejo da alma que periga se eternizar, vejo perto a distância entre ser e querer estar, e assim, querendo ou não, estou viva! Hoje minha vida tem fome de mundo, fome pelo novo, pelas dúvidas e por tudo o que é duvidoso, quero me ver apartir dos outros como alguém que ainda quer chorar, que almeja mais arrependimentos, por que eu ainda gosto de esperar que tudo dê errado, busco um futuro que talvez nem aconteça...Mas tudo bem, o bom de cometer erros é a chance de recomeçar, e disso, Eu não tenho mais medo.
(Miquelinne Araujo)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Fim da Melodia



Sacia a piedade entre efeitos, congratulados aos pontos libertos...Permite o afastar , por deveras espera: bebe a sede do amor gratinada de saudades. Embora sejas, não resguardo à lembranças passadas, formadas pela certeza de falta acumulada no ventre solto. Jovens pesadelos destroem velhos sonhos, derrubando fronteiras que choram a grande distância...Ao sentir o mesmo tempero, já apavora passar de novo no mesmo tom, esperar pelo que definitivamente está de mudança e pretende não voltar. Um ano não passa rápido, o oposto, ele embaraça as verdades, modifica sentimentos e alimenta no peito a ânsia pelo novo, e a cada fim de estação, interrompe a diversão dos dias, a subtração da perca e a divisão do amor! Um ano jamais leva consigo o que você guarda no profundo da alma e talvez de tanto insistir, nunca ninguém o rompa. Foram e ainda são duas metades de um dom ainda desconhecido, capaz de transforma vida em plena disputa, certo de que nada permanece inalterado ao lado da constância de um olhar, ainda sendo mais fácil entender as palavras, pois escondem rostos(Muitos que não conheço) e apenas sugerem vozes inventadas, cria-se assim, um sentimento sem fio, calculado na construção das voltas. Por si e para si, o tempo não é dono das curas nem responsável pelas mudanças, o que se forma, é a alteração de certezas em "talvezes" , de amor em "paixão", do frio em calor , do desejo em indiferença e do nada em sobras jogadas ao vento teimoso , mediante das fontes incontroláveis da saudades.


Miquelinne Araujo

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Nada de Adeus



(...) Como em um livro, as histórias aqui se renovam numa mutação de sentimentos, rasgando páginas, borrando letras em capricho, eternizando capítulos! Os números crescem em ordem sossegada, as mudanças mudam até o que não precisa mudar, por precisão de um olhar seguro que prove da dor a parte que apenas concilia o vínculo com a liberdade, já que os cadeados não aprisionam o que já nasceu livre.
Os passos foram dados devidamente como o plano sugeria, na beleza que transcede do irreversível que penetra veia por veia do espírito que morre, abrindo espaço para novidades, impostas sobre a superioridade de cada um que se atreve reconhecer-se, submersos em si sob o sua passagem,  descomprometidos com bagagens anteriores, daqui a pouco será  futuro que estampa novo em 365 novos amanheceres, que se deitam cansados após 365 noites aproveitados no melhor que a lua podia proporcionar!  O salto desse sapato está desgasto, há até quem já prefira estar descalço, cansados da postura incorreta cometida durante sequências claras do que se pediu do acaso, figuramos assim, um Ano Novo... 
 E nada muda até onde há a permissão de mexer, querer transformar a agonia em uma nova poesia que traz lágrimas, mas vesti-se de roupa branca como quem promete tudo e apenas recomenda-se dos erros, levando pro lado o que deveria estar a frente, de roupagem apenas visível aos olhos de quem almeja recomeçar! 
Esqueço as antigas canções e abro a porta de frente para novas melodias que sei que ainda vão tocar n'alma, mas as vezes ainda revivo cenas buscando sentir novamente o sabor em vivê-las, por que foi bom, continua sendo bom, sempre será bom...
Pego-me vez ou outra, roubada da realidade e levada de junto ao que não queria ver morto, pego-me pegada no perigo que é buscar no passado algum detalhe pra ser imposto no futuro, perigoso será se eu encontrar, então, o que faremos? 
Não é que seja triste finalizar esse último capítulo, mas é que sei que será difícil reunir novamente todos os traços que no início estavam inertes no silêncio trazido de longe, foi necessário perder para me encontrar, e encontrando-me, supus ser melhor estar perdida do que parada, vendo tudo passar e nada querer!
Na areia planejo novos sonhos, não pra mim, pra nós, para vocês que se fazem eu no instante que se permitem me conhecer, e que novas esperanças se reúnam e nos reúnam, nos unam, nos mudem(se preciso for apenas), e que não se quebre essa promessa de novo, as únicas que não permito se esvaírem na solidão,   pois matando a promessa, também mato a tudo que creio,e no que creio, é na maravilhosa metamorfose, modificando números e vida, modificando eu, você e ele, nos ensinando a cair, e quem disse que isso é adeus? Não, se faz bem não se pode despedir, apenas esperar alegre pelo próximo reencontro, ainda que na memória, ainda que nessa mera poesia...


(Miquelinne Araujo)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Refúgio


Quebrou-se , vidro de sangue vermelho, 
manchado pela dor de ver partir a essência do tempo, 
tempo que também se vai, tempo que só destrói. Duvidando 
de seu força, o barco flutua nos mares da indecisão, penetrando de arranque naqueles que o seguem, sendo como fim de uma nuvem que chora transformando-se em chuva...Desaparece então o encanto, e antes que fosse aurora, anuncio o crepúsculo, trazendo consigo o que resta de brilho e o que de alguma forma, ainda permite-se ver. Finda a tempestade no coração, dá-se lugar ao arrependimento e coloca-se em prática tudo que se pôde aproveitar, mantendo a aparência de um anjo e trazendo no coração, toda a sorte de não sê-lo. Será realmente que um erro pode condenar uma vida toda? Ah, é um encanto doce, uma amarga certeza, um brilho no escuro, é uma metáfora que dispensa  conceitos, sendo que o poder da visão pode até iludir, mas não pode encerrar.  E não é força que desvenda, no que o brilho terreno não encabula, timidamente se enxergam horizontes , onde nem por uma vez de deixou de acreditar. Dos anjos faltou-lhe apenas asas, mas se as tivesse, o Voo seria tua escolha e vê-lo partir, faria tudo que é concreto desmoronar em águas salgadas, descidas da fonte de todo sentimento e levados de junto até beco sem saída, ali, teria apenas duas escolhas: Ou viveria pra voar, ou voaria por amor e em nenhuma delas, poderia tu voar...

Miquelinne Araujo

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vítimas do Acaso



Silêncio!
Enfim repouso calma e tranquila na frente de um espelho retorcido sugerindo opção...
No contexto seria apenas desconcerto de algo que nem quebrado está, mais do descaso se formulam páginas prolongadas contadas em histórias de humanos apaixonantes, autores da própria dor e fugitivos de um sorriso. Somente ao ar seria prisioneira, das rotas que já não mostram nada além de pontos cardeias embaralhados e contrários, manisfestando apenas o desejo de ser feliz em toda a plenitude que se pode explicar! Deixo apartir do sonho a única certeza de ter e ser ao que se pode querer, pois se não tivesse estado e passado pelo experimentei, jamais seria o resultado das minhas ações e dos meus sentimentos: Seria apenas sombra do destino, catalogada e pronta a se industrializar aos sentidos, captando do sossego somente o que de resto, não mais serviria a não ser para separar do conjunto o que tudo significa vazio... No silêncio, enxergo sons que ouço através do cortejo que se dá d'alma pra alma, cortando do peito a ânsia de dá o melhor que decifraria a sensação de estar em voo plano em um céu de escamas e poucos anjos, posto que a chama do segredo já era apagada a muitos, e brilhara a mínimos. Aceitaria sim o desaparecimento de fadas se fossem substituídas pelo doce que um dia fez-me ver o refém de minha música e que agora nada mais me comprova de que pecado também se veste de boa roupa e tem máscaras que até o amor desconhece.
Seria então o amor o mendigo que pede ajuda para não morrer ou a vontade da morte em se torna vida? 

Miquelinne Araujo

domingo, 27 de novembro de 2011

Do que vai, do que volta!



Após tanto tempo, tantas quedas, tropeços, chegando quase ao final, achei escondido num canto dos meus sentimentos,  um apelo da alma, fui escutando gritos, folheando páginas, revivendo as incertezas do acaso...Uma vivi, outras são rabiscos de inocência, outras ainda permanecem em branco, outras nem tanto, retornei em risos às tímidas, amarrotei as diferenças, mas, não há como evitar, parei nas que traziam lembranças de desespero, ainda revertidas do temporal, umas tinham esboços , outras estavam em resumo(Talvez para não reviver novamente a dor)...Vestígios ainda vivos de sonhos, passei sem olhar as que sugeriam  letras trêmulas de medo, até encontrar nelas as respostas...Confesso, tentei  passar a borracha em alguns capítulos, apagar, mais o passado teima em não desaparecer (Ele se Refaz). Admito, estranhamente, foi o melhor de meus ensaios, de minhas tentativas, foi lá que me tornei o que sou: Pura teimosia , cresci pra baixo, enraizei -me, aprendi a não me ferir,suportei as ventanias. Com o tempo, furtei os sorrisos, tatuado nas lembranças, guardados sob segredos. Tento viver intensamente, sem fugir dos recomeços, sem antes não passar pela travessia. Muitas ainda são as páginas em branco, somente eu vou relatar...O fim nunca esteve tão longe! Tenho o cuidado e o capricho de acariciar cada palavra, "bordar"  cada letra, cada sentimento, cada expressão.Foi assim, que resolvi abraçar-me como nunca abracei,
com todo o corpo, um toque visceral,
logo vi que talvez... fosse ainda ficar vazios,
como ir sem ficar, como ficar sem partir.
Tive que pactuar com o destino a minha ausência,
ir embora, sem deixar de existir.
Não teve jeito... virei poeta,
coloquei nos versos, pedaços de mim, pedaços da minha alma,
passei a ficar nas palavras, em cada expressão,
do desespero da partida, ficou a certeza da despedida.
Estou calma e tudo hoje me aquieta,
não estou em desassossego, nem sou mais inquietação.
Só assim, pude me olhar em silêncio,
e tudo hoje é calmaria.
Continuo  amando até o fim... em demasia.
Pensei, antes de partir... deixar um pedaço da minha alma.
Não consegui... a deixo por inteiro com todo o esplendor...

Miquelinne Araujo

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Um pouco além


 Eram vidas transportas, que elevadas já iriam ser luz. Foi descobrindo o medo que perdi a coragem pra desistir... E tudo tava lá, descaído, sem formas, o olhar que antes penetrava gerando arrepio, hoje só traz lembrança que nem merece memória. Vi passar a pressa acompanhada do desajeito e presenciei a queda da ilusão: o nunca se transformou em única verdade aceita, transformando o infinito em algo simples, tirando o brilho daqueles que apenas sonhavam em mudar o rumo para algum espaço onde sonhar não fosse desencanto. Infelizmente, disse adeus a muitas flores que reguei cautelosamente, mas sou capaz de não chorar vendo que existiam outros jardins mais merecedores dessa maior beleza . Aprendi assim a ver a vida de um outro ângulo, já aceitei o fim como algo que de certa forma será recomeçar , domestiquei meus sentimentos e só assim deixei de ser dona de mim, pra ser dona de meus sentidos...Hoje não espero mais a volta, não  conto horas para partir, eu aceito o futuro, só não aceito dizer adeus a certeza de que os que amo estarão sempre comigo, guardados onde nada e ninguém poderá roubar. Talvez a vida seja um sentido em busca de perguntas, ou uma pergunta que merece respostas, mas sinceramente, prefiro dizer que a vida é aquilo que acontece no limite do limite, é a força que move a morte e abre espaço pro amor...
Por isso, aceito as tempestades como algo desafiador, e essa "tempestade" também vai passar!

                                     Fé

Miquelinne Araujo

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Dúvidas?



Ando a provar do gosto bom que o gosto tem...
Sentindo o frio abstrato que convence a partida e afrouxa a linha de chegada (Será sonho ou ilusão?)
Sinto também como se algo aqui dentro eclodisse no vão do silêncio, algo que é contemplador, será que é amor?
Tô vendo muita sede pra pouca água, enxergando muito ódio pra pouco amor...
Algo assim sem tradução, um "algo " que é martírio pleno no abrir de um sorriso , onde poucas ou muitas vezes pouco se ouve a não ser o que convém escutar!
Há mais de mim naquilo que não sou do que eu suponha saber, o imprevisto é minha roupa de preferência secas ao sol da plenitude e soltas ao vento para voltarem ao longo de onde nada formula ou consente: Será novamente amor?
Apesar de depois, ainda serei capaz de corrigir ao antes, não sem nunca ter visto o que espera, ou mesmo não adorando o que vejo ir, mas serei atenta e a tudo que vier a porta desse sentimento, serei inverso que é reutilizado, não como casca, mas como recomeço.
E de sobra soprarei prudente aos sonhos que a vida se encarrega de projetar ainda que não sejam sonhos, será arrancado de tudo o pouco que submete, forma mais simples de pecar e continuar santo, aceitando o começo como algo novo e não como decepção...
Por sem ser sendo a sugestão, aceito o convite do destino de embaralhar outra vez, esconder o que não preciso e demonstrar o que perdeu, posto que sempre será aceito a dor, mas não sem antes de saber que ao menos pra doer, valerá a pena!

Miquelinne Araujo





segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Outra Lua



Não gaste o que poupa no resto da noite.
Arranja espaço suficiente e guarde os cascalhos de teu gostar.
Pequena Criança, espera tua vez, no amor encontrará luz própria...Aquieta a ansiedade, se existem os que te machucam, também existirá quem te cure. Busca novos portos , guardando teu coração usado e reutilizando tuas lágrimas onde possam morar sozinhas. Ah, Querida Pequena, leva-te ao teu centro e cansas tua teimosia: espera tua hora sossegada, o amor já a fez apressar, agora te senta no colo da piedade e destroe os laços que inda insistem a te levar pro passado. Acalma teus passos ligeiros e liberta esse riso tristonho...Soberana sobre teus poderes, escolhe o lado do oposto onde tua verdade é mais fácil que teu pranto. Dorme  singela em teus encantos, descortinando toda a mancha do que é ilícito em teu pulsar, sendo certeza que passa ou dúvida permanente.Afaga o brilho em teu céu, colore tua alma na cor da vida, assim como quadro que é sólido nos pesares que a  dor ainda te permite sentir. Os medos ainda estarão lá Criança...Mas cabe a ti a força que destroe lentamente, traduz a saudade que ainda doe, mais que de certa forma, já gera encanto...
Olha, tua força cresce onde nem tu mesma consegue chegar, teu impossível gera opções contrárias e somente você escolhe teu bem. Assim o faz, Pequena dos sonhos gigantes, que já será o caminho do teu novo amor, acompanhado apenas das lembranças que em verdade, já te fazem grande...

Miquelinne Araujo

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Já se perguntou por que mudamos?






Já se perguntou por que mudamos?
Por que aquilo que era o necessário passa a ser insuficiente?
O que era completo agora é uma lacuna insuportável...
Uma falta de nada, uma vontade de tudo. Tudo queima nada aquece...
Vontade de sair dali, sair de si, sair do certo.
O que tremia sua alma, agora não distrai nem o seu olhar.
O que te enchia de sentido, agora é tão vago como um labirinto de vento.
A alegria de “estar” acaba dando lugar a vontade de voltar ao inicio e não acordar vindo de outro planeta se sentido só.
Não quero tempo, sei o sentido que ele faz.
E acredite; eu não quero esse sentido, pelo menos não agora.
Quero fugir, tenho caminhos, mas e o combustível? É o bastante? É sim! 
Mudar não é egoísmo, é amor próprio.  Isso basta! A ferida que sangrou já me fez sentir prejudicado uma vez, mudar é o melhor.
Quero um trevo de cinco folhas que é muito mais raro.
Quero a perfeição do espelho, Essa perfeição que faz estrago,por que antiga perfeição não passa de quadro surreal onde cores te impressionam, mas as formas não te tocam, pelo menos não me tocam. Nada me toca mais.
“Ultimamente vejo milhões de fotografias e acho todas iguais”.


E o sentimento? Nada impede que ele empedre mesmo crendo-se infinito? 
A resposta é nada... O fim de um sentimento é mais concreto que seu inicio, é mais nítido quando acaba do que quando começa. No inicio você não enxerga erros, no fim você não vê nada além disso.
Soa-me falso... De brinquedo... De mentira... Humano...
O que fazer quando acaba?
Se contentar... Se tudo mudou é por que não era concreto e se não era concreto não merece memórias.
O sentimento não dói quando acaba, o que dói é a sua continuidade depois do fim.
Não quer dizer que tudo foi mentira, o que aconteceu continua estático, naquele momento foi real, uma variante de tempo e espaço, onde uma das coisas constantes é a mudança.

(Welligton Magalhães)


Miquelinne Araujo: Não me canso de dizer que és um dom tê-lo como amigo, mesmo que distante (Agora comprovo que anjos existem e fazem das palavras sua morada)...Parabéns Marujo!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Deduz



Se vão ou se ficam, só eu poderei escolher. No resto que sobra só respiro em teimosia, chegando  na linha e lá abandonando os medos. Foi encanto que seus olhos não podem explicar 
e que a sua  boca nunca irá desvendar. É a mágica
 ternura de querer tanto, capaz de esquecer aos olhos
 e só dá sentido ao coração. Uma poesia sem começo, 
mas de fim previsível, você ficará sempre aqui e eu 
permanecerei nas lembranças, no frio e nas cartas, 
cartas que te envio pelo desejo de estar ao teu lado
 ainda que em sonhos, pois essa ilusão me parece 
mais doce que qualquer beijo. Tua forma de 
levar o que nem eu conheço: Estranho, 
mas até os poetas se rendem ao seu 
poder. Sou eu quem comanda
 o que entra e o que sai, 
mas teu nome estará aqui 
eternamente, escrito em 
letras permanentes
(Nem o tempo há de apagar). 
Tornaste mais simples
 a maneira de 
entender o inexplicável,
 pois és o impossível 
que me emerge no mar
 dos anseios
 e me afoga na dor 
de vê-lo partir. 
Fique um último momento,
 aquele em que te senti sendo eu,
 aquele em que eu fui mais você do que você mesmo poderia ter sido, 
aquele em que te senti meu...
Um dos sonhos de estar sempre ao teu lado,
 ainda que nem você saiba que és o meu "você",
 que me leva das noites o melhor do medo de amar.

Na ilusão 
e
 pra sempre...
 Sigo te amando♥


 (Miquelinne Araujo)

sábado, 29 de outubro de 2011

Sem inspiração



"Fracos imprudentes na beira que leva ao precípio: pensamentos são chaves relativas ao dom de esperar mesmo onde o recomeço sugira dor.  Seguro nas mãos do acaso e de embalo sigo curta na emoção, a melhor verdade é aquela que é dita no silêncio... Transpiro poesia como quem produz oxigênio, alimento o solo da dificuldade com a possibilidade, e assim, a doação se faz em partes iguais ainda que o vazio diga ecos que nem a própria terra seria capaz de traduzir. Será mais uma vez como agir de impulso, voar sem plano e caminhar sem rota; se a inspiração se vai, o amor se aproxima...Continua tudo bem. A poesia só envolve suposições quando é paixão, a certeza nasce do amor e no amor ela se torna prece; se for destino, é imutável...Pois os dias vem e vão, as horas não importam como o que se fez apartir do seu tempo, os motivos viram punições ; as certas estão de malas feitas, o destino mudou, permiti que as lágrimas se calem dentro delas, pois no peito não se cabe uma gota a mais... E com o sorriso inconsequente, a malícia de um poeta , os planos de adeus: Se faltarem motivos pra sorrir, inventarei-os!"

(Miquelinne Araujo)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Reflexo



Frente aos pensamentos, enxergo mas do que vi...Início de outra volta por mim, patética e ridícula, mas necessária.Quem sabe daqui pouco tempo terei novamente culpa por estar parada , no êxtase, descalço os pés e rotulo o que sinto. Se falta pouco, inda não sei, e prefiro deixar em reticências, carregadas as soltas para que se possa refazer em cada novo gesto. Sei que talvez nunca volte a ser o antes, e se for, não será como já o fui. Nem diferencio se sou o que vejo ou aquilo que falo, perdi verdades no reflexo, transformei-me em parte oposta, contraditória em tudo que se pode tocar, insatisfeita no vão das coisas. Sou mudança incompleta, aquilo que sei me modifica em linhas, serei tinta que falha, escreve errado o que se tem como certo, pois sei o que demonstro, assim como tudo que ainda não descobri. Vesti escuro, proporciono calor no rosto sugestivo, ora triste, ora alegra, depende dos olhos que o cercam, sou mil contradições em uma única certeza: A de que jamais serei embalagem, pois sou adepta a refazer e até o que não sou capaz de sentir me faz real. Recuso a mesmice assim como embaraço o baralho da minha vida, serei monstro das noites quietas, inveja dos choros calados e anúncio da chegada receosa, preparada pras escolhas pois que a poeira desenha nova carapaça onde sorrir rabisca os tons e reconcilia as metáforas; finalmente o espelho produz imagens ocas, reconheço-me  e transmuto...Que pena, era só sonho, hora de acordar!

      Um adeus as tempestades e ao sabor de inocência, chegou o tempo de escolher entre ir e ficar, e escolhi pelos dois,
 optei por partir e voltar, recomeçando outra vez
 a descoberta de mim, que nada
 mais sou do que sonhos
 em 
construção.

        Miquelinne Araujo